15 de abril de 2009

NARRADORES DE JAVÉ

Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que êles se deparam com o anúncio de que Javé pode desaparecer sob as águas de uma enorme usina hidro-elétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adota uma ousada estratégia: vão preparar um documento contando todos os grandes acontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar da destruição. Como a maioria dos moradores são analfabetos, a primeira tarefa é encontrar alguém que possa escrever as histórias. Mais do que o confronto entre a história oficial e a história oral, o filme traz o confronto entre linguagens que se distanciam. Uma é a cientificidade que a história oficial defende como critério para validar o seu conteúdo. Outra é a imaginação que permeia os relatos dos moradores, aproximando as lembranças do vivido e do narrado da literatura. Com a tarefa de colher e registrar a história do lugar, a personagem de Biá revela o quanto os homens simples são sujeitos da história - e como quem é responsável por relatar essa história também é sujeito. Este não deixa de atribuir sentido àquilo que é relatado, quando escolhe, reúne e dá forma ao que é colhido. A isenção e a imparcialidade do historiador surgem como impossíveis e reforçam a noção de história como resultado de versões diferentes em confronto. É uma disputa injusta entre o que sabem os homens simples e aqueles que detêm o poder político e econômico. Os moradores de Javé lutam para preservar não apenas a cidade e seu patrimônio material. A hidrelétrica não leva apenas as casas, a igreja, o correio (como se isso fosse pouco). Leva também a possibilidade de os vivos chorarem seus mortos no cemitério.A iminência da inundação de Javé inscreve no âmbito da noção de patrimônio histórico a importância daquilo que lhe é imaterial: a cultura, a criatividade e a imaginação de um povo e os laços que unem as pessoas às outras e àquele lugar.

TRAILER DO FILME NA PÁGINA DO ORKUT

http://www.orkut.com.br/Main#Scrapbook.aspx?rl=ls&uid=5732678226969782721

O VELHO - A HISTÓRIA DE LUIZ CARLOS PRESTES

O fim da guerra fria e da ditadura militar tornou possível a realização de um filme inédito sobre um dos personagens mais emblemáticos da história do Brasil no século XX: Luiz Carlos Prestes. Um nome, por si só, carregado de estigma, aversão, entusiasmo, desconfiança ... O Velho, a história de Luis Carlos Prestes é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa. Um comunista convicto que carregou ideais, hoje soterrados pelos escombros do muro. O roteiro atravessa setenta anos da história contemporânea brasileira, da qual Prestes foi um dos agentes principais. O caminho de "ouro de Moscou" na insurreição comunista de 35; Olga Benário, o primeiro amor de Prestes, na verdade espiã do Exército Vermelho; a participação dos agentes estrangeiros no levante; o cruel assassinato de Elza por importantes dirigentes do PCB; o surpreendente acordo entre Vargas e Prestes em 46; a equivocada posição do Velho diante do iminente golpe de 64 ... Finalmente, estes fatos marcantes e obscuros são trazidos à tona para ajudar a entender nosso passado recente. Foram colhidos os depoimentos de políticos, historiadores, escritores, jornalistas, amigos, família e ex-membros do Comitê Central do PCB. Uma exaustiva pesquisa de filmes de época na precária memória da país revela imagens raríssimas de Luiz Carlos Prestes. O Velho é um abrangente painel sobre a história da esquerda brasileira. Sempre clandestinos ou foragidos, poucos registros visuais sobre os comunistas brasileiros resistiram à feroz perseguição policial. É a primeira iniciativa do gênero, um filme sobre a história não oficial do Brasil. O Velho carregou durante toda sua vida um projeto coletivo. Neste final de século, onde as utopias viraram pó histórico e a humanidade se encontra envolvida com seus pequenos projetos individuais, o filme nos resgata a trajetória de um Quixote que entregou sua vida a uma causa social. No índice remissivo da história, as páginas da vida de Prestes, como o destino do Brasil, estão coladas num epílogo sem fim ...

LADRÕES DE BICICLETAS

Em Roma um trabalhador de origem humilde, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), é razoavelmente feliz e trabalha para sustentar a família. Precisando ter uma bicicleta para pegar um emprego, com sacrifício ele consegue recuperar a sua bicicleta, que estava empenhada. Entretanto ela é roubada, para seu desespero. Juntamente com seu filho Bruno (Enzo Staiola), Antonio a procura pela cidade. Como não consegue encontrá-la, ele resolve cometer o mesmo crime. Ladrões de Bicicleta é um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma; movimento que possui alguns dos melhores filmes da história do cinema. A história de Ladrões de Bicicleta se passa logo após a segunda grande guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci (interpretado pelo amador Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego (de colar cartazes na rua) lhe pedia como obrigação uma bicicleta, já que ele deveria se locomover muito e andando não seria uma boa opção, por causa do tempo que seria desperdiçado. Sem dinheiro, Ricci e sua mulher Maria (interpretada por Lianella Carell) conseguem dinheiro para uma bicicleta, possibilitando Ricci de realizar o seu trabalho. Na história há também o menino Bruno, interpretado por Enzo Staiola, filho do casal de aparentemente 10 anos, no máximo. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhe foi roubada, enquanto Ricci trabalhava em seu primeiro dia. Esse roubo é o empurrão para o desenrolar do filme, a busca incansável de Ricci, seu filho e amigos para recuperar o objeto não só de trabalho, mas de esperança de uma vida melhor da família.

6 de abril de 2009

AS TARTARUGAS TAMBÉM VOAM

Satellite (Soran Ebrahim), é um carismático jovem de 13 anos que vive num campo de refugiados Curdos, na fronteira entre a Turquia e o Iraque. A sua alcunha deriva do seu talento na instalação de antenas de televisão. Satellite é uma figura paternal para as restantes crianças do campo, supervisionando o seu trabalho na recolha de minas terrestres cuja venda garante o dinheiro para a sua difícil sobrevivência. As capacidade de Satellite e seus parcos conhecimentos de inglês são valorizados por toda a aldeia que anseia por notícias da iminente invasão do Iraque pelas tropas de George W. Bush. Satellite ouve falar de um rapaz capaz de prever o futuro, e é então que conhece Hengov (Hiresh Faysal Rahman), um rapaz sem braços que viaja com a sua bonita irmã Agrin (Avaz Latif) e o seu irmão mais novo Riga (Abdol Rahman Karim). São estas as personagens de “As Tartarugas Também Voam”, crianças e adolescentes que parecem envelhecer perante os nossos olhos, vivendo cotidianamente uma trágica realidade, numa sociedade forçada por circunstâncias extremas, como símbolo da experiência de todos os refugiados, paralisados e, simultaneamente, impelidos pelos mesmo desespero. A excessiva atividade de Satellite parece ser aquilo que o protege de refletir sobre a sua própria vida.

ANJOS DO SOL

Anjos do Sol conta a saga da menina Maria, de doze anos, que no verão de 2002 é vendida pela família, que vive no interior do nordeste brasileiro, a um recrutador de prostitutas, imaginando que a garota estaria indo viver em um local melhor que vivia, pois não sabiam que se tratava de um recrutador de prostitutas. Depois de ser comprada em um leilão de meninas virgens, Maria é enviada para um prostíbulo localizado numa pequena cidade, vizinha a um garimpo, na floresta. Após meses sofrendo abusos, Maria consegue fugir e atravessa o Brasil na carona de caminhões. Ao chegar ao seu novo destino, o Rio de Janeiro, a prostituição se coloca novamente no seu caminho e suas atitudes, frente aos novos desafios, se tornam inesperadas e surpreendentes.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

O jornalista Aldous Huxley, em 1931, escreveu uma fábula incrível sobre como seria a sociedade no futuro, por volta de 2000. Cidadãos clonados criados sob condicionamento para realizarem atividades de acordo com o que fora definido antes de suas existências, sexo à vontade com variados parceiros desde as aulas práticas (quando pequenos), drogas chamadas de “soma” para espantar qualquer indício de tristeza ou apenas para dar “um barato” nos momentos de lazer. Uma loucura total, uma sociedade demais de organizada e sem maiores instruções, sem questionamentos, apenas felizes por exercerem as funções empregadas a cada um.

3 de abril de 2009

A OPINIÃO PÚBLICA - ARNALDO JABOR

Opinião Pública de Arnaldo Jabor destoa do tom geral dos filmes sobre a ditadura militar. Sem menção explícita ao Estado autoritário, Jabor faz uma minuciosa colagem de cenas documentais de uma suposta "classe" da sociedade brasileira, a classe média.
Em A Opinião Pública, o diretor faz o primeiro filme de longa-metragem em cinema verdade, analisando os corações e mentes da classe média brasileira, logo depois da "revolução" militar de 1964, mostrando como a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, apoiou esse retrocesso histórico no país. Entrecortado entre os mais diversos embarços cotidianos, o que se monta é um quadro de decadência da sociedade brasileira, marcada pelo seu conservadorismo, machismo e suas pequenas violências cotidianas. Desde a mulher que faz um balanço negativo de sua vida, narrando a decadência material de sua casa e sua família, enquanto o marido vivia em "farras", até a vedete ensinando as meninas "recatadas" o que é o amor, encontramos uma sociedade convulsionada e decadente, muito diferente das cenas combativas que estamos acostumados a ver nas centenas de filmes que abordam a luta armada.

LARANJA MECÂNICA

A partir de um best-seller de Anthony Burgess, Stanley retrata a violência sem objetivo dos jovens combatida pelo autoritarismo sem freios do Estado e faz um painel assustador da sociedade européia e do próprio mundo moderno.
Do ponto de vista temático e sociológico, o filme trata do problema número um da maioria das sociedades modernas ( presente em um grande número de filmes), ou seja, a violência. Mas Kubrick o estuda sob um ângulo original, comparando a violência do indivíduo à da sociedade. Kubrick inova também utilizando um estilo onde, paradoxalmente, o formalismo mais desenfreado reforça, no nível das emoções sentidas pelo espectador, o caráter cruel, bárbaro e insuportável desta violência.
Quando se mostra mais brilhante, o estilo de Kubrick repousa, em efeito, sobre um equilíbrio extremamente eficaz entre a sofisticação e a brutalidade. O sentido da fábula de Laranja mecânica ( que deixa, como em toda fábula digna deste nome, uma parte não desprezível à reflexão e às hipóteses do espectador) é que a violência da sociedade é ainda mais nefasta e perigosa que a do indivíduo. Kubrick denuncia o absurdo de uma sociedade que buscaria estabelecer a ordem e a saúde através de indivíduos enfraquecidos e doentes ( pois é exatamente uma doença que é inoculada em Alex). Em um desenlace particularmente "noir" e corrosivo, Kubrick mostra que a sociedade, que talvez não tenha tido tanto sucesso como acreditara no tratamento imposto ao perverso, procura recuperar a violência de Alex e de seus companheiros.

A VILA (THE VILLAGE)

O filme transmite idéias filosóficas. A questão central do filme é a recriação de uma comunidade. As pessoas vivem em uma vila baseada em vilas do século retrasado. Para que não saissem de lá e se deparassem com a realidade do mundo foi criada a "lenda" de que existiam monstros na fronteira da vila. Esses monstros teriam a função de estabelecer o equilíbrio e manutenção daquela realidade imposta às pessoas que viviam lá. Assim essas não sairiam da vila e permaneceriam isoladas da sociedade (o que era a vontade dos seus criadores). O filme trata da realidade imposta às pessoas, da manipulação de poucos sobre a maioria, do isolamento, e também, por outro lado, do descontentamento com a sociedade (o que acontece com os fundadores da Vila) e da vontade humana de evadir para um "mundo" sem dor, sem problemas e sofrimento. Outro ponto importante é o uso do medo como artifício para a manutenção de uma sociedade. Isso é uma questão antropológica, já que mitos e lendas são usados desde os primórdios da humanidade.
Alguns foram realmente por falta de conhecimento, porém outros eram usados por líderes de aldeias, religiões, um exemplo é a própria igreja católica que professava crenças que sabia não serem verdadeiras apenas para manter a estabilidade ou assegurar o crescimento da sociedade em dados momentos históricos segundo o que julgava necessário. É esse o intuito dos donos da Vila. Essas questões que o filme levanta foram tratadas por vários filósofos e sociólogos em várias épocas e continuam sendo muito atuais. Voce pode procurar relacionar tudo isso com a atualidade e vai perceber que possivelmente essas questões estarão sempre presentes na humanidade já que podemos questionar até que ponto somos manipulados.

30 de março de 2009

TEMPOS MODERNOS

O clássico do genial Charles Chaplin, Tempos modernos, retrata a interligação da vida com um relógio. O tempo marca a vida de operários de uma fábrica onde se desenvolve boa parte da ação. O filme começa com imagens de um rebanho de ovelhas que, na sequência, são substiuídas pela imagem de um grupo de operários saindo da fábrica. Pela cena inicial, nota-se a pressa em mostrar que a responsabilidade de massificação do proletariado corresponde ao processo de desumanização imposto pela máquina. Tempos Modernos mostra um patrão em que ao mesmo tempo brinca de quebra-cabeça e lê gibi e paralelamente controla, de sua sala, através de um circuíto fechado de televisão o trabalho de seus empregados. Em Tempos Modernos, Carlitos é um trabalhador da fábrica, em uma lnha de montagem. O seu serviço é ajustar os parafusos a uma velocidade que não consegue nem se coçar, sem que haja quebra no ritmo de trabalho dos companheiros.

1,99 - UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS

Os personagens principais são o desejo, a angústia e a compulsão por comprar. Num supermercado, os consumidores passam o tempo enchendo seus carrinhos e não conseguem sair de lá. Durante esse período de reclusão, algumas histórias curiosas acontecem. O mundo exterior só aparece mediado por máquinas como computadores, câmeras e telefones. A música foi composta por Wim Mertens. Mas o que está a venda neste supermercado, em tons absolutamente brancos, são conceitos e idéias como amor, sucesso e família, todos dispostos como produtos em prateleiras. Exploram-se assim a falência dos valores sociais e o desejo, a angústia e a compulsão que costumam acompanhar o ato da compra.
Em um cenário todo branco e sem diálogos, com prateleiras e carrinhos iguais aos de um supermercado, o diretor paulista Marcelo Masagão faz uma reflexão sobre os limites do consumismo.

28 de março de 2009

FAVELA RISING - A MÚSICA É UMA ARMA

As favelas do Rio de Janeiro estão estigmatizadas pela violência, divididas pela lógica do tráfico de droga e são negligenciadas pelo poder político. Assombrado pela chacina de Vigário Geral, onde perdeu amigos e familiares, Anderson Sá, protagonista do filme, chegou a envolver-se no mundo do crime e a morte esteve muito próxima dele. Num cenário de violência, carência e miséria, ele conseguiu dar sentido à vida e criar uma revolução social numa das mais temidas favelas do Rio de Janeiro.Através do hip-hop, dos ritmos de rua, e da dança afro-brasileira, ele utiliza o seu movimento para neutralizar a violência dos exércitos de crianças traficantes e a opressão dos polícias corruptos. Numa altura em que a mobilidade colectiva está a superar todas as expectativas e o movimento Afro Reggae de Anderson Sá está no auge do seu sucesso, um trágico acidente ameaça silenciar para sempre o movimento...Premiado em vários festivais internacionais, entre eles o de Cinema Latino de Nova Iorque, Tribeca e Roxbury, FAVELA RISING conta a história de um homem e de um movimento, uma cidade dividida e uma favela unida. Um verdadeiro exemplo de resistência e de transformação, de beleza e criatividade e de como se consegue atingir a redenção através da arte.

O BAILE - ETTORE SCOLA

Num grande salão de baile, construído nos anos 30, as mulheres são as primeiras a chegar, uma após outra: elas são desde uma quarentona clássica, com seu coque e seu tailleur preto bem cintado, à loura carnuda que faz como se tivesse sempre 20 anos... Em seguida, entram os homens que se dirigem ao Bar. Entre eles, encontram-se um indivíduo cheio de tiques e que não para de chupar bombons, um outro de idade madura mas sempre bem disposto, um homem tímido de ar amedrontado. Enquanto dançam ao longo do salão, homens e mulheres se recordam do passado, com os bailarinos mudando de personagem à medida que o filme viaja no tempo, repassando a história da França dos anos 30 aos anos 80. Assim, em 1936, surge a Frente Popular dando força à classe trabalhadora; em seguida, é retratado o período de ocupação nazista, durante a 2ª Guerra Mundial; em 1944, quando Paris é libertada pelas forças aliadas, um oficial alemão e um colaborador são repelidos, enquanto um membro da Resistência é recebido como herói, ao mesmo tempo em que explode a música americana, no estilo Glenn Miller; em 1946, soldados americanos trazem meias de seda e o jazz; em 1956, chega o rock' n' roll; em 1968, estudantes radicais tomam conta do abandonado salão de baile; em 1983, é a vez da música 'disco'.

22 de março de 2009

A HISTÓRIA DAS COISAS

O trabalho, o dinheiro e a compra são inerentes às atividades econômicas e, até determinado ponto, também interferem na sociabilidade e na afetividade. No entanto, o trabalho alienante e exploratório, o dinheiro sujo e o consumismo são a origem da destruição da Terra. Entenda os processo, desde a coleta da matéria-prima até o consumidor final. Veja os impactos desse consumismo perante ao planeta terra.Você já se perguntou de onde vêm e para onde vão as coisas que consumimos? Até quando vai existir matéria-prima?O documentário A História das Coisas esclarece bem a situação.